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sexta-feira, 15 de julho de 2016

A Modernidade Impressa em exposição







Absolutamente imperdível a exposição “A Modernidade impressa
– artistas ilustradores da Livraria do Globo”, no Margs, Praça da Alfândega de Porto Alegre, até dia 21 de agosto. Um festival de capas, cartazes, originais de desenhos e (algumas) telas de um time de altíssima qualidade gráfica, que vai mais ou menos dos anos 20 aos 60 do século passado. Todas as correntes que evolucionaram a arte na primeira metade dos anos 1900 estão ali representadas. 
 
Aqui, aleatoriamente, reproduzo - mal - algumas das capas e cartazes da antológica Revista do Globo, que à época não tinha nada a ver com o jornal e a “rede” do mesmo nome, e era dirigida por Erico Verissimo. 

Passa lá que é da boa.




(Se possível, acrescente um comentário sobre a postagem)

 

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Matar, matar, matar!





Perdido o ônibus do horário, embarquei num lotação com destino ao Centro da cidade. A calma da manhã nebulosa, na periferia, logo passou a ser metralhada pela voz do locutor da emissora sintonizada pelo motorista, em altos brados:

- Matar, matar, matar! Vagabundo não tem que prender, não! Tem é que matar!


Inebriado pela sua própria voz amplificada pelo rádio, o “comunicador” comunicava que tinha a saída perfeita para todos os problemas ligados à criminalidade.

-... passar com a moto em cima da cabeça do vagabundo!


Fiquei imaginando o poder daquela mensagem de ódio e crueldade despejada diuturnamente na cabeça não só do motorista do lotação, mas de toda a imensa população mais carente de educação, formação cultural e política, direito à informação de qualidade. 


A metralhadora vocal continuava despejando impunemente seu pente carregado de projéteis nos ouvidos de vagabundos e trabalhadores.

-...enterrar vivo, tem que enterrar vivo o vagabundo! 


Tendo uma espécie de orgasmo de sadismo, o locutor da morte avançava em seu delírio criminal.

- Polícia tem que matar, matar, matar, despejar bala neles! Polícia trabalha sério, trabalha para caramba, pro vagabundo andar solto por aí! Tem que pisar na cabeça do vagabundo até sair o cérebro, pisar na cabeça até sair o cérebro!


Imaginei se o Ministério Público, a Justiça, o Legislativo e o Executivo – com a ajuda de psiquiatras, sociólogos, especialistas de vários ramos do saber, não deveriam tomar pé e  providências sobre esta clara incitação à violência e ao assassinato, através das ondas de rádio e TV, que são concessões públicas. Meu próprio cérebro, no entanto, ainda que não estivesse vagabundeando, também começou a sentir uma imaginária sola de botina espremendo-o.


- Um grande abraço a todos os policiais civis e militares do Rio Grande do Sul – concluía o comunicador.

Ainda bem que o rádio perdeu a sintonia no viaduto e perdemos também a próxima ideia genial do fascismo encarnado no radialista, que não pensa em exigir melhor educação pública, igualdade social, combate ao racismo, oportunidades iguais a todos, cidadania, prisão, julgamento com liberdade de defesa, tratamento psicológico/psiquiátrico aos casos adequados e todos os outros direitos que fazem parte do cotidiano dos países menos desiguais e mais civilizados. 


Afinal, ele tem uma solução muito mais fácil e rápida para todos os problemas sociais e para a criminalidade, instaurando de vez a paz dos cemitérios.


Você sabe: Matar! Matar! Matar!


(Após a leitura, se possível poste um comentário. Obrigado)

terça-feira, 28 de junho de 2016

 Música

Gil está melhor





Gil está melhor. Gil voltou para casa.

Gil sempre foi dos melhores.

Sempre esteve em casa (ao menos na minha), na vitrola, no palco, na estrada, nas palavras/letras, nas entrevistas e entreouvidas.

Viva Gil. Viva Cae. Viva Chico.

E todos os outros que nos representam e cantam pra nós, ajudando a desatá-los.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Uma névoa se apresenta




Uma névoa

se apresenta


Tento olhar o que está à frente.

Uma névoa se apresenta.

Acendo um farol.

Seu facho apenas ilumina a condensação.

Um jogo de volumes.

Brancos e cinzas.

Isto não pode ser tudo.



Dou um passo adiante.

O chão é irregular.

Exige atenção

(que retiro, em parte, da neblina).



Estico o braço.

A mão roça a umidade vazia.

Aperto os olhos:

irritação.

Neblina poluída.



Jogo uma pedra

ao espaço sem contorno.

Nem ruído.



Mas algo há.

Um ai.

Um oh.

Um argh.

Piso em frente.



Escorrego.

E já não paro

de cair.

Ao fundo.

Ao fundo.

Ao fundo.



Tateio o chão de pedregulhos.

O corpo mortificado.

Levanto o olhar ao céu

contaminado.



Gargalhada distante

me saúda.



Começo a escalada.



Por: José Antônio Silva