quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Em linha direta com a Ditadura

José Antônio Silva

Mais uma prova de que os setores historicamente marginalizados da sociedade brasileira, de modo geral, começam de fato a ter vez, a partir das gestões petistas federais, estaduais e municipais – apesar de todas as falhas e imperfeições do processo, que é complexo – é que a direita mais retrógrada se vê obrigada a arrancar da cara o sorriso de vendedor e vir a público cuspir o seu ódio. Num universo em que conservadores ofendem e maldizem em nome de Deus (Feliciano) e da Ordem (Bolsonaro), ajunta-se a voz irada, violenta, racista e homofóbica do deputado Luiz Carlos Heinze.

“Tudo o que não presta”
A pretexto de defender agricultores familiares num conflito fundiário com indígenas, no norte do RGS, ele atacou o papel da Secretaria Geral da Presidência da República, coordenado pelo ministro Gilberto Carvalho. Mas o importante é o formato da afirmação, gravada em vídeo:
“No mesmo governo (...) estão aninhados quilombolas, índios, gays, lésbicas, tudo que não presta, e eles têm a direção e o comando do governo”.

Na mesma oportunidade, Heinze ainda aconselhou/sugeriu aos agricultores uma ação armada contra os indígenas, no conflito fundiário do norte gaúcho, dando como exemplo o uso de jagunços (“segurança privada”) pelos fazendeiros do Pará e Mato Grosso do Sul. Vale lembrar o prestigiado General Custer, da Conquista do Oeste dos EUA: “Índio bom é índio morto”.

Questão de DNA
Heinze é deputado federal pelo PP/RS. Vale pesquisar o DNA da legenda: seu nome de batismo era Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido que dava uma fachada de democracia à ditadura militar (1964-1985). Depois, virou PDS, que virou PFL, que virou PPR, que virou PPB – até assumir, em 2003, a designação simpática de Partido Progressista. Tudo, claro, numa constante tentativa de não ser associado ao governo ditatorial que prendeu, censurou, torturou e matou.

Mas, claro, em todos os setores sociais do Brasil há gente saudosa da ditadura ou esperançosa de algo parecido. Provavelmente o deputado vai dobrar o número de votantes na próxima eleição.


Um motivo a mais para que as esquerdas e os verdadeiros progressistas não se destruam em lutas internas. 

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