sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009



Balaiada High Tech





José Antônio Silva

Profecia em tempo real
"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, e terão que ser nacionalizados pelo Estado". (Karl Marx, Das Kapital, 1867)
Só pra saber: Marx (o jovem do retrato ao lado) é aquele que estava ultrapassado?

Hebe, esta menina
O filme “O estranho caso de Benjamin Button”, baseado em conto clássico de Scott Fitzgerald, mostra um homem que nasce velho, vai remoçando e termina a vida como bebê, gugu, dadá. A existência humana mais uma vez imita a arte: a apresentadora de TV e ex-cantora Hebe Camargo, cada vez mais jovem, já anunciou à imprensa de celebridades que irá comemorar seus 80 aninhos (dia 8 de março) na Disney World, Flórida.
Pateta, Mickey, Donald e Margarida preparam algo especial para sua amiguinha of Brazil, capital Buenos Aires. Porém - sempre há um porém - os personagens Disney já avisam que por contrato não darão “selinho” na vovó garota...

Poesia é o caminho
Poesia é o atalho que toma a Filosofia (fugindo de seu terreno pedregoso, que não raro acaba em pântano conceitual), através do território da Estética, para chegar mais rápido à Verdade. Mentira?






terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Poetando (9)

Não sei como explicar

José Antônio Silva



Acredite, não é besteira:
minha fé é única,
a única verdadeira.

Grandeza dele não se mede:
meu time é o maior
até mesmo quando perde.

É melhor, a minha gente:
meu coração
é que sente.

Naturalmente, uma certeza:
só minha terra é que possui
tanta, mas tanta beleza.

Na política, não insista:
meu partido é aquele
realmente idealista.

Verifico bem cedinho:
minha grama sempre mostra-se
mais verde que a do vizinho.

Nada mal:
até o sol, quando aqui se afoga,
faz suicídio sem igual.

Nessa terra tudo é macho:
mulher e gay agüentam em dobro
pau, surra e esculacho.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Crônica MInha (12)

O ruído do mundo


José Antônio Silva


Como o ruído insistente de um velho ventilador de teto, do qual chegamos a esquecer por alguns momentos, entretidos com o trabalho ou a conversa, há o barulho contínuo, inescapável, porém mais sutil, do mundo. Em qualquer lugar, em qualquer tempo.


O barulho do mundo reflete, de algum modo impreciso, os mecanismos, as roldanas e correias que movem o planeta e com ele seus habitantes, animais, vegetais, minerais, os gases e os ventos.

Em todos há átomos em transformação, há mudanças de forma, e mesmo após a morte tudo se modifica: do trabalho aplicado dos vermes à depuração e redução de tudo às essências minerais e, como se diz, à volta ao pó.


São processos secretos e silenciosos. No entanto, com a sensibilidade despertada, há quem capte o ruído dos passos das formigas na relva, do amadurecimento de uma goiaba no pé – para não falar da explosão cósmica da fruta, ao esborrachar-se sobre o solo. Uma espécie de pratos soando, e solando, numa pianíssima orquestra de câmara.


Existe a respiração de todos nós (e o resfolegar de um cavalo, por exemplo, é a lembrança amplificada desta verdade). Existe o vento – mesmo sem ventania. Uma folha que roça em outra, no galho da árvore.


O ruído do mundo – da incomensurável máquina do mundo, que jamais é desligada – não se restringe aos ritmos da natureza. Os produtos e resultados do engenho humano (carros, aviões, eletrodomésticos, o movimento misterioso do concreto a se expandir sobre a viga de ferro) trouxeram, nestes nossos tempos, novos tons e timbres ao que era uma sinfonia orgânica.


Cada cidade tem o seu barulho típico (como tem seu cheiro, ou seu fedor característico; como tem sua luminosidade). Possui seu próprio barulho, modulado aqui e ali por características locais: maior ou menos população; alta produção industrial ou não; o tipo predominante de atividade econômica; mais ou menos veículos; se é cercada ou não por plantações; se conta com aeroporto; se é atravessada por uma linha férrea ou rodovia; se é banhada pelo mar, por um lago ou grande rio...


Poderá ter um jardim zoológico e seu coro desconexo de mugidos, berros, pios, rugidos, cacarejos, grunhidos, uivos, ganidos e etcetera. Uma síntese interessante mas aleatória, dividida por “ambientes” e grades, do mundo animal, com espécies que jamais conviveriam – ou sequer se escutariam – se nada disso houvesse.


Seja no Saara (do vento Simum...) ou na floresta da Amazônia, haverá sempre de algum modo o burburinho sonoro da natureza – o que também pode ser considerado uma forma de silêncio. Sim, o ruído do mundo traduzia a harmonia natural, cósmica.


Hoje, o ruído tonitruante do mundo (como uma TV lançando seu rumor, seu zumbido vazio, na madrugada, frente a um homem adormecido num sofá, abraçado a uma garrafa); hoje toda a profusão de ruídos, e o crescente aumento dos decibéis planeta afora, traduzem a desarmonia humana.


Satélites artificiais chocam-se e perdem peças na órbita da Terra e no espaço sideral. Quem escuta?

A música do mundo – pastoral quebrada por ápices de som e fúria – agora incorpora às harmonias da natureza os barulhos dissonantes da ação incansável e incontível dos homens.


Este é o novo ruído que nos cerca, e que só eventualmente percebemos – como o estrondo do velho ventilador soltando-se e voando sobre as nossas cabeças.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Direitos de imagem


O colunista
e a feiúra da governadora


José Antônio Silva


Qualquer um dos oito ou nove leitores deste blog, sabe que o espaço aqui é voltado quase totalmente à literatura (contos e poemas) e temas afins. A política do dia da dia – o bang-bang noticioso e engajado, a cobertura atenta a cada novo lance paroquial – é realizada de maneira mais atenta e competente por vários outros blogs, bem conhecidos. Porém – ah, porém! – há coisas que não se pode ler ou ver sem ter uma reação imediata, até física, pelos absurdos que contêm. É precisamente o caso da parte final da coluna de Paulo Santana, na Zero Hora desta sexta-feira treze.

Mostrar-se contrário à campanha sindical contra Yeda Crusius, espalhada em outdoors pela cidade de Porto Alegre é pleno direito do colunista, como cidadão e como jornalista. Só que os “argumentos” que Santana esgrime para atacar as críticas à governadora são certamente ridículos, chegando ao nível do estratosférico.

No quarto parágrafo, após relatar os fatos, o decano cronista mais popular de ZH surpreende-se com o tom da campanha e fica sinceramente condoído com a foto de Yeda: “O rosto da governadora nos outdoors está visivelmente esmaecido, empalidecido, envelhecido, não correspondendo ao seu aspecto real e atual”. A realidade: a governador do Rio Grande não costuma “sair bem na foto”, como mostram as imagens colhidas pela imprensa diariamente, numa sucessão de esgares, olhos arregalados, imagens de frieza, irritação, etc. Mas, até aqui, tudo bem...

O quinto parágrafo: “Desde já a Justiça deverá assegurar à governadora o direito à privacidade de sua imagem, que no caso consistirá da substituição de sua imagem nas fotos”. A realidade aqui necessita de gargalhadas para melhor se expressar: pra começar, o que tem a ver “privacidade de imagem” com a questão (aliás, o que é isso numa figura pública)? E ainda determinada pela Justiça? Como será feita a substituição da foto? Fica a sugestão de Lavra Livre: um concurso (patrocinado pela RBS), com um júri de modelos, esteticistas e cirurgiões plásticos fará a escolha do melhor ângulo de Yeda para ser encaminhado aos sindicalistas.

O sexto parágrafo: “Os sindicatos foram solertes e perversos aos escolher e editar as fotos da governadora, sua imagem está visivelmente alterada para pior”. A realidade: “solerte e perversa” pode ser a definição da política yedal, que persegue os professores, colocou a BM contra os trabalhadores e movimentos sociais, arrocha o funcionalismo público, vive a gerar crises administrativas dentro de seu próprio governo e convive com escândalos de corrupção que chegaram por várias vezes ao seu secretariado ou à porta de sua casa nova.

O sétimo parágrafo é o ápice, o ponto alto do humorismo involuntário de Santana: “O mínimo direito que tem qualquer pessoa, quanto mais uma pessoa pública, é o de escolher as fotos em que aparecerá publicizada (sic)”. A realidade: fala sério! Quer dizer que uma campanha política de oposição, segundo o colunista, tem obrigação de submeter previamente ao adversário político a imagem que irá usar? Quando isto foi feito na face da Terra?

Difícil, realmente, escolher a jóia mais brilhante do raciocínio do titular da penúltima página de Zero Hora. Ele continua: “Ainda mais quando o alvo do protesto é uma mulher. A mulher tem maior direito que o homem de não aparecer descuidada e fisicamente depreciada em fotos de tanta repercussão”. A realidade: esta afirmação – por seu machismo incontornável e seu conservadorismo – deveria indignar precisamente as mulheres, mesmo as partidárias de Yeda Crusius: afinal, será que foi à toa que há décadas as mulheres em todo o mundo ocidental vêm lutando e conquistando o direito de ter direitos (e deveres) iguais aos dos homens?

O último e mais autoritário parágrafo da crônica: “Só essa manobra agressivamente antiestética pode bastar para que os cartazes venham a ser proibidos pela Justiça”. A realidade: pela segunda vez no mesmo texto, o colunista prega a censura e o recolhimento judicial dos cartazes. Pretende assim, utilizando a força do grupo RBS e de sua própria popularidade, constranger a Justiça gaúcha a tirar a campanha dos sindicalistas das ruas, em nome de uma inacreditável “privacidade de imagem” e, pior, da preservação da “estética”. Não vai adiantar: mais feia que a face física da governadora é a política que ela vem impondo, a ferro e fogo, sobre todos os gaúchos e gaúchas.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Mito e realidade

Israel e os palestinos – quando a pedra de Davi já não funciona

José Antônio Silva

Um dos mitos fundadores do judaísmo é aquele em que o adolescente Davi, pastor de ovelhas, resolveu aceitar o desafio do forte e gigantesco Golias, invasor filisteu. Armado apenas com sua funda (bodoque, atiradeira), o jovem acertou uma pedrada na testa do enorme e muito bem armado adversário, que desabou. Para concluir, Davi cortou a cabeça de Golias com a espada do próprio gigante. E tornou-se o segundo rei de Israel, fundador de uma dinastia que governou por 400 anos.

Por cruel ironia do destino, o papel de Davi, no dias atuais, cabe como uma luva – ou como pedra na atiradeira – aos palestinos. O poderoso Golias, com pesada armadura e o melhor armamento disponível sobre a Terra, fica claro quem é. Até as pedradas dos adolescentes palestinos contra os tanques e armas automáticas israelenses, nas várias “intifadas” (levantes) ocorridas desde os anos 80, confirmam a coincidência. No entanto, na vida real e contemporânea, não há vitória nem final feliz para os mais fracos.

Por que, no fundo, é disso que se trata – e que revoltou o mundo na recente invasão de Gaza por Israel: a imensa disparidade de forças entre os oponentes. Até os foguetes de curto alcance e quase artesanais disparados pelo Hamas contra as cidades próximas de Gaza, nos meses anteriores à guerra, ainda representavam uma espécie pouco mais sofisticada de pedras, pela precariedade e o baixo teor destrutivo.

Tirando duas ou três vidas inocentes perdidas nestes ataques irracionais, a maior parte dos danos foi material (telhados e paredes destruídas, alguns leitos de rua atingidos). E foi principalmente psicológica: difícil julgar o pânico e o desequilíbrio emocional trazidos à população judaica que morava nestas áreas próximas de Gaza, imaginando a cada dia e a cada noite quando e onde cairia o próximo foguete.

De outro lado, danos sem comparação: entre os poucos mortos civis pelos foguetes artesanais e os soldados atingidos pela resistência palestina ou pelo “fogo amigo” israelense, Israel computou cerca de 14 vítimas fatais. Pois os palestinos tiveram 1.400 mortos (a maioria mulheres e crianças)... Ou seja: cada vida israelense custou, na média, 100 vidas de palestinos. Isso lembra alguma coisa? Como o nazismo, por exemplo?

Dupla responsabilidade
É preciso dizer que o Hamas – que inacreditavelmente canta vitória, sobre um monte de cadáveres palestinos - também tem responsabilidade no desastre e no morticínio desencadeado pelas tropas israelenses sobre a população de Gaza. O grupo islâmico durante meses cutucou a onça com vara curta. Talvez imaginasse que os países árabes circundantes se revoltariam contra esta nova situação de conflito e com a espantosa disparidade de forças. E, unidos – agora sim! –, jogariam finalmente os israelenses no Mediterrâneo (ou no Mar Morto, para fazer jus ao nome).

No mínimo, uma análise de conjuntura muito equivocada. É bom recordar que países vizinhos com o Egito, a Jordânia e até a Síria, ao lado de resistentes palestinos, já entraram em conflito armado com a nação judaica por várias vezes, desde a fundação de Israel em 1948 – e ao fim de cada guerra, Israel não apenas havia vencido militarmente, mas tomara uma parte dos territórios dos adversários.

Sob o governo egípcio de Anuar Sadat (depois assassinado por extremistas), foi firmado o acordo pelo qual Israel devolveu a Península do Sinai ao Egito, no início dos anos 80. Também terras jordanianas foram devolvidas à família real Hussein – embora Israel tenha ficado com o controle da chamada Cisjordânia. Mas as Colinas de Golan, ao norte de Israel, de grande importância estratégico-militar, nunca voltaram às mãos da Síria.

Unidos pela promessa divina
Israel? O povo judeu manteve-se unido ao longo de dois mil anos, desde a Diáspora, quando foram expulsos de sua terra pela forte perseguição do Império Romano, ainda nos primeiros cem anos depois de Cristo. Mas, disperso pelos cantos mais distantes do mundo então conhecido, preservou-se inacreditavelmente, através da sua religião, da sua cultura e principalmente pela certeza de que aquela faixa de solo pedregoso do Oriente Médio era sua “Terra Prometida” por Deus. Com a força de um mito inquebrantável, sempre cultivado e mantido vivo, desafiaram os séculos e as circunstâncias – ao contrário de incontáveis outros povos que sumiram ou fundiram-se com os invasores por todos os cantos da Terra, ao longo da história humana.

O moderno estado de Israel é fruto da má consciência do mundo, especialmente da Europa, após o genocídio nazista da Segunda Guerra Mundial (sobre seis milhões de judeus europeus, numa planta industrial de execução), e do esforço de setores ocidentais, em destaque os Estados Unidos: além de possuirem um enorme contingente de eleitores de origem judia a serem agradados, os EUA tinham e têm todo o interesse estratégico em manter um país amigo na região, razoavelmente próxima da adversária União Soviética (hoje, Rússia) e, em especial, das grandes reservas mundiais de petróleo.

Claro, na base de tudo, estava o Movimento Sionista,– paradoxalmente “bombado” a partir do Holocausto – que pelo menos desde o final do século XIX já sonhava em ser dono de toda a Palestina. Vocês sabem: a “volta à Terra Prometida”.

Faltou combinar com os palestinos
Claro que havia um problema: aquela terra já era habitada por outros povos há pelo menos 1.400 anos - desde o século VII depois de Cristo, quando Maomé teve sua revelação e quando sua religião (amparada duplamente por conquistas militares e a determinação de converter os infiéis ao que diz o Alcorão) começou a espalhar-se incansavelmente pelo Oriente Médio, Ásia, África e sul da Europa, a partir do que é hoje a Arábia Saudita. Sim, havia também remanescentes judeus – e cristãos – vivendo desde há muito na região, mas eram grupos minoritários.

Nada porém haveria de deter os judeus em sua volta ao lar mítico. Fortalecidos por dinheiro do mundo todo, e movidos por uma avassaladora determinação de criarem seu refúgio, afinal - após tanto sofrimento, humilhações e massacres ao correr dos séculos - os seguidores de Abraão acorreram em massa para fincar suas bases nas terras citadas na Torá.

Desta vontade férrea - e do apoio do Ocidente (dinheiro, tecnologia, cultura, política e diplomacia) - nasceu, cresceu e fortaleceu-se o Israel atual. Um país admirável sob muitos aspectos, como o de funcionar como democracia formal, em uma região dominada por monarquias religiosas e por ditaduras, leigas ou não. Países que ainda não superaram grandes desigualdades sociais e que em muitos casos impõem às suas populações (tirante as elites), grandes tabus e perseguições, especialmente à liberdade de mulheres, homossexuais etc.

Um império regional
Coisa alguma, no entanto, obscurece o fato de que Israel age pela força e atua como potência imperial na região. Que retira famílias de palestinos de suas terras seculares, queima suas plantações de oliveiras e tâmaras, acaba com seus rebanhos, derruba suas oficinas e fábricas, destrói suas casas, para assentar “colonos” judeus. Que destrói suas cidades, escolas, hospitais e universidades, como ocorreu em Gaza. Que ocupa as fontes de água da região. Que trata os árabes como sub-raça (estranhamento lembrando pelos métodos empregados, em muitos episódios, o próprio Nazismo), e que trata os palestinos-israelenses como cidadãos de segunda categoria.

Dois povos, duas nações – ambas de origem étnica comum, semita. Esse foi o consenso tirado em 1948 das polêmicas reuniões das Nações Unidas que resolveram pela criação de Israel na Palestina (até então, um “protetorado” britânico).

Hoje, os palestinos vivem divididos: na minúscula Faixa de Gaza (à beira do Mediterrâneo) e na Cisjordânia (à margem ocidental do bíblico rio Jordão). Não estão, no entanto, separados somente pelos israelenses: na Cisjordânia manda a Autoridade Palestina, leiga e herdeira da OLP e da Fatah, pioneiras na luta contra os israelenses, nas décadas inicias de Israel. Em Gaza, reina absoluto o Hamas, grupo de inspiração fundamentalista, que desbancou a AP pela força, numa luta fratricida, mas também por fazer uma política mais social, e com isso conquistando o apoio dos palestinos da região.

Na Palestina, séculos e milênios depois, continua vigorando a Lei do Talião: olho por olho, dente por dente. Mas nos dias de hoje, definitivamente, já não basta uma pedra bem mirada para acabar com um poderoso adversário. Ao mesmo tempo, também não se aceita que a força bruta e a injustiça ocorram - e simplesmente se imponham -, sob os olhos de milhões de pessoas no mundo inteiro, em tempo real, em frente à TV. Talvez a desprezada diplomacia, finalmente, possa ganhar algum espaço naquela terra de pouca água e tanto, tanto sangue.