quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Balaiada Hightech - VIII

Olha só!

José Antônio Silva

A hipocrisia, por vezes, é só um tributo que a vilania paga à virtude.

Jesus Cristo, Ghandi, Martin Luther King provaram que é possível mudar o mundo sem tirar a vida de ninguém - mas dificilmente sem perdê-la.

É impossível se engajar em todas as causas justas que nos aparecem – mas isso não pode ser um pretexto para não fazermos absolutamente nada.

Carnaval – recreio louco dos adultos no rígido curso da vida.

ESPAÇO PUBLICITÁRIO:

Fora de Focus – o carro para quem não enxerga direito

UTILIDADE PÚBLICA:

“Galera” proibida!

O Departamento Lavralivre de Estudos Linguísticos e Assemelhados, amparado em diretrizes sólidas e larga experiência no ramo, declara que está proibido por tempo indeterminado o uso do vocábulo “galera” no sentido de turma, pessoalzinho, rapaziada, etc.

Para tanto, levou-se em conta o estado de profunda fragilidade e exaustão da citada palavra, haja visto (e haja ouvido!) o excesso de utilização a que foi submetida nas últimas décadas, a partir, especialmente, de programas jovens da televisão e, suplementos adolescentes de jornais.

Nos últimos tempos, esta velha senhora recauchutada vem aos poucos deixando entrever seus milhares de anos de idade, e pede para sair: já não agüenta ter que usar cabelos escorridos verdes e calças coloridas estilo emo, enganando a si mesma. Pior: na intimidade, ela já confessa à colegas menos citadas a intenção de naufragar de vez.

Por essas e outras, neste ínterim o termo só terá sua utilização liberada quando referir-se ao seu sentido original e dicionarizado. A saber: Antigo navio à vela (com bancos de remadores ou não), de mastreação constituída de gurupés e três mastros de brigue, envergando ou não, além das velas redondas e de proa, velas latinas quadrangulares.

Não é o caso?

Sentimos muito, mas.... nananão!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Poetando

Telma intervém


José Antônio Silva



Telma intervém

na Feira

que vira Fera

e esquece

o livro

e lavra sua ira

na teima

de Telma

que tem

tutano

e trata a Feira

e seu poder

no mano a mano.



Feia ficou

a Feira

fazendo

besteira

na esteira

da barraca

furada

de quem

ataca

à mão armada

a arte

pessoal

que intervém

canina

e coleira

na festa fofa

da cultura

livreira.



Telma trouxe

sua história

e restou inteira.



A Feira?

Esta ajuntou

um rodapé estúpido

à própria lenda:

liberdade e arte

fora dos livros à venda?


Algeme e prenda!

domingo, 14 de novembro de 2010

Poetando

Alumiado

José Antônio Silva


Alumiado

variando

entre o primeiro sol

a soberana lua

e o abajur da madrugada


Nasço das entranhas da noite

com o grude dos miasmas

e apalpo o medo

em busca da mão do verbo

(que lá também reside)


E quando escuto

o gutural de minha voz

mais funda

agarro a palavra

que me é estendida

e escalo o paredão do abismo

onde não há a fala


E sei então que hoje

ainda e mais uma vez

irei tomar a estrada do dia

Crônica MInha

Alô! Não, não. Foi engano...

José Antônio Silva

Claro, claro, o celular é maravilhoso, etc. etc., muito útil, etc. etc., pode salvar uma vida, etc. etc. – mas, assim como o cigarro, deve ser urgentemente proibido em lugares públicos. E quando digo lugares públicos, incluo aí salas de espera, ônibus e outros locais que você não pode abandonar imediatamente sem sofrer prejuízos. Afinal, quem agüenta sujeitos fechando negócios e discutindo longamente preços de pneus usados ao seu lado no coletivo, em altos brados?

E será que não daria pra preservar ao menos os ouvidos desinteressados pelos detalhes íntimos da vida dos conhecidos - quanto mais dos absolutamente desconhecidos? Mais ou menos assim (e ainda bem que você só escuta a metade do diálogo):

- Ele o quêêêêê? Te... assim?

- ...........

- Não acredito....

- ...........

- ... e...e....doeu?

- ...........

- Ai, amiga....

- ................

- E você não tinha levado?

- .............

- E agora?

- ............

- Ah.... marcaram de novo....

- ..........

- Você vai levar aquele roxinho?

- ........

- Ah, o verde....

- ..........

- Tua mãe desconfiou?

Claro, claro, bobagem minha. Esse aparelhinho nos faz aprofundar ainda mais nosso conhecimento da natureza humana – queiramos ou não.

- Não vai pagar?!

- ............

- Eu já paguei No mês passado! E no anterior também!!

- ............

- O quê??? Mas é... tu tá brincando comigo, né??

- .............

- Vai tu, vagabundo!

- ...........

- É vagabundo sim!

- ...........

- Tu nunca te coça.... E aquele cartão que eu paguei pra ti?!

- ...........

- Não, não! Nunca, nunca!....

Claro, claro, o celular é tudo de bom – além das fotos, dos torpedos, dos e-mails, do GPS, dos ringtones e milhões de outras coisas tão incríveis e divertidas: dá até para comparar os portables atuais com os velhos canivetes suíços de mil lâminas e utilidades incríveis, caso você esteja perdido na floresta amazônica sem mini saca-rolha, tesourinha ou lixa de unhas...

Claro, claro, tudo bem, é uma invenção maravilhosa. Mas assim como proibiram o cigarro em ambientes públicos, nada impede que façam o mesmo com o celular. Até porque, pesquisas que todo mundo já tratou de esquecer afirmavam que ele também pode causar câncer, novamente que nem o cigarro.

- Alô? Me processar? Não, foi engano, foi engano. Não foi deste aparelho!