segunda-feira, 18 de julho de 2016

Ter ou não ter




   

Quem tudo tem,
morre - lânguido -
de tédio.


Quem nada tem,  
luta - vital: 
qualquer pedaço é remédio


José Antônio Silva


sexta-feira, 15 de julho de 2016

A Modernidade Impressa em exposição







Absolutamente imperdível a exposição “A Modernidade impressa
– artistas ilustradores da Livraria do Globo”, no Margs, Praça da Alfândega de Porto Alegre, até dia 21 de agosto. Um festival de capas, cartazes, originais de desenhos e (algumas) telas de um time de altíssima qualidade gráfica, que vai mais ou menos dos anos 20 aos 60 do século passado. Todas as correntes que evolucionaram a arte na primeira metade dos anos 1900 estão ali representadas. 
 
Aqui, aleatoriamente, reproduzo - mal - algumas das capas e cartazes da antológica Revista do Globo, que à época não tinha nada a ver com o jornal e a “rede” do mesmo nome, e era dirigida por Erico Verissimo. 

Passa lá que é da boa.




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quinta-feira, 30 de junho de 2016

Matar, matar, matar!





Perdido o ônibus do horário, embarquei num lotação com destino ao Centro da cidade. A calma da manhã nebulosa, na periferia, logo passou a ser metralhada pela voz do locutor da emissora sintonizada pelo motorista, em altos brados:

- Matar, matar, matar! Vagabundo não tem que prender, não! Tem é que matar!


Inebriado pela sua própria voz amplificada pelo rádio, o “comunicador” comunicava que tinha a saída perfeita para todos os problemas ligados à criminalidade.

-... passar com a moto em cima da cabeça do vagabundo!


Fiquei imaginando o poder daquela mensagem de ódio e crueldade despejada diuturnamente na cabeça não só do motorista do lotação, mas de toda a imensa população mais carente de educação, formação cultural e política, direito à informação de qualidade. 


A metralhadora vocal continuava despejando impunemente seu pente carregado de projéteis nos ouvidos de vagabundos e trabalhadores.

-...enterrar vivo, tem que enterrar vivo o vagabundo! 


Tendo uma espécie de orgasmo de sadismo, o locutor da morte avançava em seu delírio criminal.

- Polícia tem que matar, matar, matar, despejar bala neles! Polícia trabalha sério, trabalha para caramba, pro vagabundo andar solto por aí! Tem que pisar na cabeça do vagabundo até sair o cérebro, pisar na cabeça até sair o cérebro!


Imaginei se o Ministério Público, a Justiça, o Legislativo e o Executivo – com a ajuda de psiquiatras, sociólogos, especialistas de vários ramos do saber, não deveriam tomar pé e  providências sobre esta clara incitação à violência e ao assassinato, através das ondas de rádio e TV, que são concessões públicas. Meu próprio cérebro, no entanto, ainda que não estivesse vagabundeando, também começou a sentir uma imaginária sola de botina espremendo-o.


- Um grande abraço a todos os policiais civis e militares do Rio Grande do Sul – concluía o comunicador.

Ainda bem que o rádio perdeu a sintonia no viaduto e perdemos também a próxima ideia genial do fascismo encarnado no radialista, que não pensa em exigir melhor educação pública, igualdade social, combate ao racismo, oportunidades iguais a todos, cidadania, prisão, julgamento com liberdade de defesa, tratamento psicológico/psiquiátrico aos casos adequados e todos os outros direitos que fazem parte do cotidiano dos países menos desiguais e mais civilizados. 


Afinal, ele tem uma solução muito mais fácil e rápida para todos os problemas sociais e para a criminalidade, instaurando de vez a paz dos cemitérios.


Você sabe: Matar! Matar! Matar!


(Após a leitura, se possível poste um comentário. Obrigado)