terça-feira, 14 de abril de 2009

Crônica Minha


Do amor cantado

José Antônio Silva

Conforme a MPB, o amor pode, não sei se deve, ser dividido mais ou menos como segue aqui (independente da qualidade musical de cada artista citado):


1. Adolescente: “Só falta te querer/ Te ganhar e te perder/ Falta eu acordar/ Ser gente grande pra poder chorar”, Lulu Santos. Ou: “Um amor de verão/ vem com tudo a favor/ foge em ondas de calor”, Felipe Dylon.


2. Indeciso: “Pérola Negra, te amo, te amo/ nem sei se te amo/ meu amor", Luiz Melodia.


3. Intenso: “Cartas já não adiantam mais/quero ouvir a sua voz/ vou telefonar dizendo/ que eu estou quase morrendo/ de saudades de você”, Roberto Carlos. Ou: “Uma mulher/ uma beleza/ que me aconteceu”, Caetano Veloso.


4. Caliente: “Quero te pegar no colo/ te deitar no solo/ te fazer mulher”, Wando. Ou: “Me vira de quatro/ no ato/ me enche de amor”, Rita Lee.


5. Machista: “De dia me lava a roupa/ de noite me beija a boca/ e assim nós vamos vivendo de amor”, Lupicínio Rodrigues. Ou: “Às vezes passava fome ao meu lado/ e achava bonito não ter o que comer/ ah que saudades da Amélia/ aquilo sim e que era mulher”, Mario Lago. Ou: “Quando chega a madrugada/ ele some/ ele é quem quer/ ele é o homem/ eu sou apenas uma mulher”, Chico Buarque.


6. Magoado: “Tire seu sorriso do caminho/ que eu quero passar/ com a minha dor”. Nelson Cavaquinho. Ou: “Você há de rolar como as pedras/ que rolam na estrada/ sem ter nunca um cantinho de seu/ para poder descansar”, Lupicínio Rodrigues.


7. Terminal: “Drão, não pense na separação/ o amor da gente é como um grão/ tem que morrer pra germinar”, Gilberto Gil. Ou: “Acontece que nosso amor/ ficou frio/ nosso ninho de amor/ está vazio”, Cartola.


8. Infinito: “Estou de volta ao meu aconchego/ trazendo na mala bastante saudade/ na hora de regressar/ parece que vou mergulhar/ na felicidade sem fim”, Nando Cordel.


Arbitrariamente, de momento é isso: é claro que a brincadeira poderia continuar ad infinitum. Para terminar, lembro o que diz o falso brega Falcão: “Dinheiro não é tudo, mas é cem por cento”. Aqui, no caso, vamos trocar de riqueza: no lugar do dinheiro deposite a palavra amor.

4 comentários:

ronald augusto disse...

zéantonio! o teu blog tá muito legal. os bons blogueiros são corredores de longa distância. vão ganhando nossa admiração pelo tempo e pelo ritmo seguro de suas passadas. a cada retorno ao lavra livre comprovo isso.

valeu!

Steve disse...

Toninho, acho que fizeste uma confusão muito comum com duas músicas: Pérola negra nem sei se te amo (Luis Melodia)e tudo em volta esta deserto, tudo certo, tudo certo como dois e dois são cinco(Roberto e Erasmo)

José Antônio Silva disse...

João Steve: tens razão. Misturei as músicas do Melodia e da dupla Roberto/Erasmos. Tá registrado!

Anônimo disse...

Zé,

Adorei a brincadeira musical. Dá vontade de te pedir para continuar.
Humor sempre foi o seu forte e criatividade também!
Fico com: infinito, caliente e intenso.

Tereco