quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Porto Alegre e RS sob o baixo astral



   
“Deu pra ti, baixo astral/ Vou para Porto Alegre/ Tchau...”. A mensagem otimista e pra cima do clássico de Kleyton e Kledir, dos anos 80, definitivamente já não descreve a capital dos gaúchos e gaúchas. Hoje, sob o governo de José Ivo Sartori, do mesmo PMDB do autor da letra da canção (José Fogaça), não só Porto Alegre mas todo o Rio Grande do Sul está mergulhado no baixo astral do abandono e da criminalidade sem controle, que a música pretendia espantar.

Embora seu discurso seja prometedor, Sartori sempre se mostrou adepto ferrenho do estado mínimo. Deixou de nomear policiais civis e militares aprovados em concurso e atrasa seus salários, assim como o dos professores e do funcionalismo estadual de modo amplo.  Ele não confessa, mas mostra crer piamente no dedo mágico do Mercado, que tudo regularia harmonicamente na sociedade.Só que não. 

O resultado concreto é o aterrorizador aumento do número de latrocínios. Na segunda-feira, 15/08, uma médica de 32 anos foi assassinada a tiros para ter seu carro roubado; no domingo, 14, um porteiro de 57 anos, acompanhado pelo filho de 13, também foi morto para que os ladrões fugissem com a sua moto. 

São dois casos de homicídios com intenção de roubar, em menos de 24 horas, na Capital de todos os gaúchos e gaúchas. E assim acontece também com os demais indicadores da criminalidade.

Recorde de ataques a bancos
Para a categoria bancária, chega a soar como um deboche as negativas do governador do estado, quando o mês de agosto vem batendo todos os recordes de ataques a agências, postos e caixas eletrônicos. Os episódios de ocupação de agências por criminosos, que fazem clientes e funcionários como reféns, tornaram-se comuns, mesmo que pouco divulgados. 

A insegurança pública, no entanto – mostram dados e estudos internacionais – não ocorre somente no campo puramente policial, quando então ganha as manchetes. Contribuem para este quadro o cenário de abandono em que estão as ruas, como no esburacado Centro Histórico de Porto Alegre; o acúmulo de lixo; o trânsito caótico; as populações de moradores das calçadas, viadutos e parques, que crescem sem abrigo adequado nem apoio público. Drogados que rondam como zumbis pelas calçadas – e, inacreditavelmente, parecem invisíveis aos serviços sociais da Prefeitura da Capital e do Governo do Estado. 

O caos perfeito
Neste quadro político-econômico, que aposta na retirada de uma presidenta que não tem nenhum crime nas costas – mas é condenada, entre risinhos cínicos, por um Congresso composto por uma maioria de denunciados e corruptos – o caos parece se encaixar a perfeição. 

As Olimpíadas, assim como já tinha ocorrido com a Copa do Mundo em 2014, estão se realizando com pleno sucesso, apesar de todas as apostas em contrário, por mérito do governo de Dilma, que tudo havia programado e financiado.  

Dois Brasis
São dois Brasis. O do super-esforço concentrado que agora brilha para o mundo no Rio, sob os braços abertos do Cristo Redentor, com boa organização e alguns desempenhos marcantes dos atletas brasileiros.

E o do dia a dia do governo Temer, que como um mordomo da Casa Grande – devidamente vaiado na abertura dos Jogos Olímpicos – adianta um terrível pacote de “ajustes” sócio-econômicos que retiram direitos consagrados dos trabalhadores. Sem que a maioria da população entenda bem o que está sendo tramado. 

(Coluna Marcando em Cima, que publico semanalmente no site do SindBancários de Porto Alegre e Região)

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