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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O incomparável Jornalismo Comparado




Só para não dizerem que há má vontade ou exagero quando eu e outras pessoas criticamos Zero Hora/RBS por sua absoluta falta de isenção - e de jornalismo mesmo! - quando se trata de atacar as esquerdas/movimentos sociais/PT e quando se trata de defender a direita/grande empresariado/Temer e o Golpe que está acontecendo no país...
... nada melhor que a simples e reveladora prática do Jornalismo Comparado.

Confere aí a capa do jornal Correio do Povo (CP) do dia 09/08 (segunda-feira) e a capa de Zero Hora (ZH), do mesmíssimo dia:
Manchete do CP: “LAVA JATO - Temer é denunciado pela Odebrecht “
(Abaixo da manchete): “Ex-dirigente diz que atendeu pedido do presidente interino em 2014 e entregou R$ 10 milhões em dinheiro vivo ao PMDB – Página 4”.

Manchete de ZH: “LENTA E GRADUAL – Recuperação da indústria traz otimismo e cautela”.
(Abaixo da manchete): “Produção industrial subiu pelo quarto mês consecutivo e índice de confiança dos empresários se elevou, gerando retomada de investimentos, mas ainda em ritmo que não permite dar como consolidada a reação – Notícias/ 6 e 7”.
Ou seja, Zero Hora não informa nada – sequer uma citação – sobre a gravíssima denúncia da Lava-Jato, que acusa diretamente o presidente golpista Temer de estar envolvido na corrupção, dentro do escândalo Odebrecht-Petrobrás. Ao contrário, faz propaganda deslavada do governo interino e ignora os malfeitos do mesmo Temer.
Detalhe: a denúncia foi divulgada pela insuspeita, neste caso, Revista Veja.
Quer dizer, no tocante ao golpismo em marcha no país e a blindagem do mordomo da Casa Grande Michel Temer, Zero Hora está absolutamente engajada, sem vergonha de omitir informações importantíssimas.

Aliás, ZH também deixou de noticiar ao seu público, descaradamente, a informação divulgada na capa da Folha de S. Paulo – e do resto da mídia, depois – no domingo, 07, sobre a denúncia da própria Odebrecht, também na Lava-Jato. A empresa deu R$ 23 milhões, por baixo do pano, para a campanha de José Serra à Presidência, em 2010.
Então, amigos e amigas, é aí que eu me refiro. Como repete a sabedoria popular, pau que bate em Chico, tem que bater em Francisco também. Uma regra básica da justiça e de todo e qualquer jornalismo que se quer isento e confiável.

Só que – definitivamente – não.


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