terça-feira, 13 de agosto de 2013

O paradigma Amarildo e o espírito de porco - digo, de corpo


José Antônio Silva
 

 Vimos recentemente, na tela da TV, o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro chamando às falas o comandante da Polícia Militar por ter concedido anistia a vários PMs envolvidos em crimes de “menor gravidade”, ou algo assim. Muito bem. Mas parece que este espírito de porco, digo, espírito de corpo da PM, é uma amostragem dos locais em que costuma encarnar a entidade do mal chamada de Arbítrio ou que, em qualquer encruzilhada mal iluminada da vida, atende por Covardia. A polícia do Rio encara com normalidade o desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, que foi levado para “averiguação”, pelos pms, ao posto da “Polícia Pacificadora” da Rocinha. E nunca mais.

Afinal, seria mais um episódio corriqueiro de violência exagerada contra os pretos/pardos/pobres/da periferia. A rapaziada de farda (também P/P/P/P, mas com licença histórica das elites para esculachar e matar seus irmãos) apenas pegou pesado demais, desta vez. Acontece, né?

Só que não. O Brasil vive dias de mudança – que vão da inserção social de milhões de deserdados até os protestos de rua contra tudo o que as autoridades de todos os níveis deixaram de fazer.

O desaparecimento do pai de seis filhos e trabalhador braçal Amarildo vira símbolo do que já não se aceita no Brasil, neste momento em que até a roubalheira de 20 anos, de incalculáveis milhões de dólares, de quatro governos do PSDB em São Paulo, vem à tona. O megadesfalque tucano agora bóia nos noticiários, qual sólidos troços de cocô no valão da favela.

Atravessamos dias de qualificação das mudanças positivas que vêm acontecendo no Brasil desde o início dos anos 2000. É a justiça – inclusive criminal e cidadã – chegando à favela, junto com o Minha Casa Minha Vida. O caso Amarildo passa a ser um paradigma das transformações. Se bem resolvido, com responsabilidades apuradas e culpados presos, pode significar que, finalmente, os fantasmas da velha ditadura e da exclusão estão sendo banidos, um a um, do astral do país.

Mas, para exorcizar este mal, tem que ser muito forte o trabalho e o barulho da cidadania.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Destino, como queríamos demonstrar

Tecemos nossa própria trajetória, com atos e omissões. Mas estes e aquelas são determinados, em boa parte, pelo inconsciente. O que talvez também possa ser chamado de destino.