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quinta-feira, 17 de março de 2011

Crônica Minha

Pinpoo ou Pimpo?

José Antônio Silva


Parem as impressoras! Uma dúvida maior se alevanta. O cão Pinpoo, que para desespero de sua dona havia sumido no Aeroporto Salgado Filho na hora de embarcar num avião, foi recuperado por soldados da Brigada Militar. Quatorze dias depois de fugir da cesta em que seria transportado de Porto Alegre à Vitória, Espírito Santo, e ficar passando fome em matagais próximos do aeroporto, voltou ofegante aos braços acolhedores de sua dona, Dona Nair, 64 aninhos. Final feliz.

Mas a dúvida é sobre o nome do travesso e felpudo cachorrinho: por que Pinpoo? Por que não, em português correto, Pimpo?

Utilizar a grafia com dois “o” no final, remete à uma tentativa de americanização da palavra. Digo tentativa, pois para ficar coerente a pronúncia teria que ser equivalente à “Pimpu” – como Scooby Doo, o que não parece ser o caso.

A fuga radical, e talvez inconsciente, às regras do nosso idioma pátrio e mátrio continuou com a utilização da letra “n” – como se sabe, em português é o “m” que antecede ao “p”.

Mas enfim... que importância tem isso, você há de perguntar. E eu hei de concordar: praticamente nenhuma.

Agora, pode render um papo interessante sobre o tema – que englobaria por exemplo, as criativas versões de nomes (de seres humanos) estrangeiros aclimatados ao Brasil por grande parte da população, como “Dieniffer”, “Mayco” e tantas mais.

Por que, enfim, soar como estrangeiro? Baixa auto-estima nacional? Modismo? “Complexo de vira-lata”?, como dizia Nelson Rodrigues (aliás, nenhuma menção ao Pinpoo, que além da grafia levemente cosmopolita é uma cruza de pinscher com poodle, e portanto pode reivindicar até mesmo um passaporte britânico e cidadania européia).

Pensem nisso, que vocês não ficam se descabelando com o vazamento atômico no Japão, ou com os temporais que vêm fechando o tempo e o verão brasileiro.

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