domingo, 30 de maio de 2010

Poetando

Poetas amigos (II),

que por aí gorjeiam,
também pousam por aqui.
Para o bem de todos e felicidade geral. Confiram.




Universo


É tapete aberto

maior que um deserto

e se mexe pouco,

mas deixa o olho alerta.

Miragem, mosaico,

mapa assimétrico,

morada e masmorra.

Chama-se universo

Wladimir Cazé

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Poeta
cruza de beija-flor
com vampiro
esteta

Laís Chaffe

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Signo



a cadeira
onde sento para
escrever poemas
sequer suspeita
da trama conceitual
que envolve
sua existência

Lau Siqueira

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Outono de 2005


estou a falar de coisas muitas:

sou exigente de aeroplanos e andorinhas

precisada de aprender loopings

para as horas mínimas

de alçar-me disco voador

estou a dizer de coisas absurdas:

um peso de papel impedindo

extravios

âncoras retendo navios

estou a inventar coisas invisíveis:

palavras incineradas pelo outono

folhas soletradas na boca do vento

estou a imaginar uma coisa triste:

poeira sobre o poema de Deus

Celia Maria Maciel

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Maresia


barafundar

é palavra estranha

um barco afundado

algum barato lindo

a baderna feita

na taberna

alguma coisa

talvez mudando

a sombra na parede

da caverna

a doce e terna

luz da fala

alguém

mexendo fundo

o rabisco na carne

do mundo

Mario Pirata


Um comentário:

Laís disse...

Obrigada, Zé Antonio!

Fico toda orgulhosa de estar no teu blog.

Abração,

Laís