terça-feira, 11 de maio de 2010

Poetando

Poetas amigos,

que por aí gorjeiam, também pousam por aqui. Vejamos, leiamos, curtamos.


NOTURNO DO NAVIO-ELEFANTE

No cais do porto, à noite
ancorado e abandonado,
um navio tem o aspecto
de um animal raro,
exposto a curiosidade alheia

Triste, pesado e mal cuidado,
seu casco lembra uma pele envelhecida
só por compaixão

O navio-elefante e sua solidão.

José Schenkel Weis
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OS INOCENTES


Nós íamos ao parque na inocência

para muito prazer, divertimentos
e um pouco de sorte nas argolas.
Jamais nós retivemos uma imagem
de forma superior à sua essência
a fim de que depois fosse expressada.
Jamais observamos qualquer ritmo
de carrossel, de roda ou trem-fantasma
exatos e velozes como o medo.
Jamais nos dirigimos ao porteiro
a fim de questionar o que não fosse
um preço de bilhetes ou a hora.
Jamais pensamos que essa arte toda
seria assim um dia necessária.

Celso Gutfreind

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AMOR AOS POUCOS


Poucas pessoas conheço
com amor no endereço

Poucas pessoas se lembram
do amor dobrado no lenço

Poucas pessoas confessam
o amor que já fez estrago

Poucas pessoas receitam

aquele amor sem remédio

Poucas pessoas agüentam
quando o amor estremece

Poucas pessoas enxergam
o amor de quebra no espelho

Poucas pessoas conservam
O beijo do amor ardente

Poucas pessoas entendem
a carta que o amor deixa

Poucas pessoas conseguem
Nenhuma delas esqueço

Nei Duclós
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o corpo nomeado e dissecado pelo anatomista

o sexo com luvas de borracha do ginecologista
o corpo loteado e tabelado pela prostituta
o sexo à espera no banco de espermas
o corpo sem o dono no sono
o sexo sem nexo do sonho
o corpo sem sentido do morto
o sexo solitário do rato no laboratório

Ricardo Silvestrin
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PROMETEU

Agrada-me o chegar perto do fogo,
no tão próximo onde se desfazem
as certezas, amo o gesto e o risco,
a aventura do fogo, e tanto mais
se for para roubá-lo de Zeus Pai.

Sidnei Schneider

5 comentários:

Nei Duclós disse...

Que beleza fazer parte da tua seleção. Obrigado!

Lengo D'Noronha disse...

Essa coisa de juntar letras que formam palavras que formam frases e por fim abrem nossas cabeças como chaves-mestres, talvez mais que imagens são capazes.

Bons ventos trazem estes poetas.

Abraços.

Sidnei Schneider disse...

Muito legal ter um poema aqui, pela tua escolha e pela companhia.
Abração

Juliana Meira disse...

vi, li e curti!

abraço!

José Antônio Silva disse...

Eu que agradeço, poetas e leitores.
A poesia está em festa.
abraços

Zé Antônio