domingo, 9 de maio de 2010

Poetando

Profunda superfície


José Antônio Silva



O superficial pode deslizar ao superficial – horizonte e mais horizonte e mais horizonte.

O superficial pode arremeter ao profundo – vertical mais vertical e mais vertical.


O profundo pode aflorar ao superficial – superficial mais superficial e ainda mais superficial.

O profundo pode lançar-se ao profundo – profundo mais profundo e mais profundo.


Mas o superficial mais, e indefinidamente, mais superficial, é ficar na mesma, correndo na esteira estéril da superfície sem fim.

Mas o profundo, mais e mais e ainda mais profundamente profundo – queda livre e eterna, ou subida ao infinito – questiona no ato a própria noção de movimento e espaço.


Melhor enfiar cada pé num plano. Abismo e montanha são o mesmo.

Lá vai: alterne o ponto de vista. Não sacuda.

Tomara que dê certo.


Um comentário:

Lengo D'Noronha disse...

Redundante dizer, mas profundo. Aflora.

Abraço.