terça-feira, 24 de março de 2009

Amor e ódio


Seis coisas que eu detesto, e seis que eu adoro

(à maneira de Angeli)


José Antônio Silva



Detesto:
1. Senhoras que varrem cuidadosamente o lixo da sua calçada para dentro do bueiro, com muita naturalidade.

2. A “claque” ao fundo, rindo automaticamente de todas as piadas sem graça em seriados estrangeiros e nacionais.

3. Pais, maridos, esposas e irmãos que enviam, para programas de TV ou internet, vídeos mostrando os filhos, esposas, maridos e irmãos se machucando ou vivendo momentos constrangedores.

4. Pais que “incentivam” os filhos e filhas, desde cedo, a serem atletas profissionais de sucesso.

5. Histórias em quadrinhos em que os autores “humanizam” seus super-heróis com depressões e problemas comuns dos mortais.

6. Obras de arte que valem mais pela legenda do que pela obra em si.

Adoro:
1. Músicas bregas com letras inacreditáveis, assinadas por duplas de nomes ainda melhores. Por exemplo: Conde & Drácula.

2.Ler os nomes de todos os músicos de estúdio e técnicos de som nos créditos de velhos (claro!) LPs - e de alguns CDs que ainda trazem isso.

3. O primeiro gole do primeiro chope, num dia muito quente. Imbatível.

4. Banana com goiabada, de sobremesa.

5. Histórias em quadrinhos em que ninguém voe, tenha superpoderes e corpos supersarados.

6. Chavões e clichês do jornalismo. Tipo: “É dos carecas que elas gostam mais – dizia uma velha marchinha de carnaval” (abertura clássica de matérias sobre calvície).

sábado, 21 de março de 2009

Crônica Minha (13)

A mãe de todas as batalhas


José Antônio Silva


Já dividiram o mundo, maniqueisticamente, de vários modos: comunistas versus capitalistas, gremistas versus colorados, paulistas versus cariocas, homens versos mulheres, brancos versus negros, ocidentais versus orientais, casados versus solteiros, heteros versus homos, etc... Na maior parte dos casos, passam os anos, as décadas e até os séculos, e vai se vendo que havia muita enganação nisso tudo, e que as zonas de sombra entre os extremos eram até maiores que os pólos. (Bela frase, hein?)


Tudo isso pra dizer que não é nada disso – ou é mais que isso – e que a batalha final, afinal, deverá travada entre dois tipos de gente:


a) os que procuram ser econômicos com o espaço que ocupam, preocupados em não invadir a circunferência alheia (ou pública);

b) e aqueles que - simples assim! – julgam terem direito a tudo, sem limites. Aliás, qualquer regra, argumento ou direito alheio é encarado por esses como ofensa pessoal, sujeita a ser respondida com seis tiros na cara. Tão aí os conflitos de trânsito que não me deixam mentir sozinho...


Isto é o que vem acontecendo com o mundo, na interminável crise em que sobrevivemos: a ânsia por lucros ilimitados de alguns segmentos - razoavelmente reduzidos, mas imensamente poderosos - quebrou a economia mundial. E alguns de seus “executivos” (não seria melhor executores? Ou talvez carrascos?) ainda brigam para receberem “bônus” de dinheiro público, a título de “indenização”, por terem feito o que fizeram...


Moratória ambiental

O mesmo raciocínio serve para a moratória ambiental em que está afundada a Terra. Além de uma melhor distribuição mundial de riqueza, se não houver redução no nível de consumo/consumismo mundial (com a poluição, degradação natural, aquecimento global, e demais problemas decorrentes do modelo atual), não se sabe bem até onde iremos todos, em 30, 50 ou 100 anos.


Os cientistas sérios estão fazendo a parte deles. Mas não dá para jogar tudo nas mãos da ciência, sem a conscientização ativa de cada um. Passamos deste ponto. Seria mais ou menos como enfiar a cabeça – cabeça oca, claro - no buraco da alienação e dizer: “Quer saber, não tô nem aí! Eles que resolvam...”


É tão fácil quanto colocar todas as esperanças nas mãos da religião. Mas as grandes religiões (“religare”) parece que já se desligaram do Todo há muito tempo.

E excomunguêmo-nos todos!

Poetando (10)

ÚLTIMO QUARTO



José Antônio Silva




O ódio é uma criança

que dorme

esquecida

no último quarto

da casa do amor.



Um dia

então

ela acorda.



E todas as boas intenções

acumuladas

arrumadas com elegância

nas prateleiras

queimam-se em um minuto

para sempre.



Pode haver

depois

o remorso

- apenas cinza do incêndio -

que será varrido para a rua

sumindo

na indiferença.



Até que alguém

algum dia

novamente

construa uma casa.


1998

domingo, 1 de março de 2009

Mundo Visual (7)








Ilustrando a imprensa


José Antônio Silva


Algumas ilustrações de amigos e colegas nas redações da vida. (Acervo pessoal deste blogueiro).


Paulo Caruso – Ilustração para matéria sobre caça às baleias. Mais jovens, observar: na época, pré-computação, o tom sombreado do mar foi obtido no caso com a aplicação de uma retícula plástica, colada ao papel, tipo “letra set”. Para o jornal Shopping News/DCI – São Paulo, 1978.


Karpuska – Ilustração intitulada “O vento/imaginação”. Interessante: para reforçar o efeito de terceira dimensão do cachorro, Karpuska desenhou novamente as pernas do cão e colou sobre o desenho de fundo. Para jornal Folha de S. Paulo – São Paulo, início dos anos 80.


Lilita Figueiredo – Ilustração humorística da designer. Detalhismo à bico de pena na capa/corpo do monstro assustado. Para Revista Transe - São Paulo, 1983.


Jaca – Ilustração de Paulo Carvalho, o Jaca, para matéria sobre brinquedos. Como sempre, Jaca parte para perspectivas e ângulos inesperados, viajantes: um Escher pop. Para jornal Diário do Sul – Porto Alegre, 1987.